Ícone do site

Carótidas entupidas: quando o estreitamento aumenta o risco de AV

Clogged arteries, Cholesterol plaque in artery. 3d illustration

As artérias carótidas são vasos sanguíneos localizados no pescoço que levam sangue rico em oxigênio ao cérebro. Com o passar dos anos, elas podem sofrer o acúmulo de placas de gordura, colesterol, tecido fibroso e cálcio, processo conhecido como aterosclerose.

Quando essa placa aumenta, o espaço por onde o sangue circula fica menor. Esse estreitamento é chamado de estenose carotídea e pode aumentar o risco de acidente vascular cerebral (AVC), principalmente quando a placa se rompe e forma um coágulo que pode chegar ao cérebro.

A partir de 50% é preciso atenção

A porcentagem de obstrução é determinada por exames, principalmente pelo ultrassom Doppler das carótidas, que permite avaliar o fluxo sanguíneo e o grau de estreitamento.

Uma estenose de 50% ou mais merece acompanhamento médico, mas isso não significa que todos os pacientes nessa situação necessitem de cirurgia. A conduta depende de vários fatores.

O cuidado é ainda maior quando a pessoa já apresentou sintomas compatíveis com falta de circulação no cérebro, como um ataque isquêmico transitório (AIT) ou um AVC. Nas pessoas que tiveram sintomas recentemente, uma estenose de 50% a 99% pode exigir avaliação rápida para definir se o tratamento clínico é suficiente ou se há indicação de procedimento. Diretrizes internacionais consideram a doença carotídea uma causa tratável de AVC.

Nas pessoas sem sintomas, a situação é diferente. Mesmo com uma obstrução importante, a decisão sobre cirurgia ou colocação de stent depende do grau de estreitamento, características da placa, expectativa de vida, condições de saúde e risco do procedimento. Portanto, não existe uma regra de que “50% de entupimento significa cirurgia”.

Por que a carótida pode provocar um AVC?

O problema não está apenas na redução do espaço para a passagem do sangue.

Uma placa de aterosclerose pode se tornar instável e romper. Nesse momento, pode formar-se um trombo. Parte desse material pode se desprender e viajar pela circulação até uma artéria menor do cérebro, interrompendo a passagem do sangue.

O resultado pode ser um AVC isquêmico, o tipo mais comum de AVC.

Por isso, o acompanhamento de uma estenose carotídea não deve esperar o aparecimento de sintomas.

Sinais de alerta: é preciso procurar atendimento imediatamente

Um dos problemas da doença carotídea é que ela pode permanecer silenciosa. Entretanto, quando ocorre um AIT ou AVC, os sintomas podem aparecer de repente:

Mesmo que os sintomas desapareçam rapidamente, é necessário procurar atendimento de emergência. Um AIT pode ser um sinal de alerta de um AVC iminente.

E o cálcio acumulado nas artérias?

O cálcio participa da formação e progressão da calcificação vascular, um processo associado à aterosclerose. Mas é importante entender que o cálcio encontrado dentro de uma placa de aterosclerose não é simplesmente um “excesso de cálcio que está sobrando no sangue”.

A calcificação vascular é um processo complexo, regulado pelo próprio organismo.

É nesse ponto que o magnésio e a vitamina K despertam interesse científico.

O possível papel do magnésio

Estudos experimentais indicam que o magnésio pode dificultar processos envolvidos na calcificação dos vasos. Há mecanismos pelos quais ele pode interferir na formação e maturação de cristais de fosfato de cálcio e na transformação das células musculares dos vasos em células com comportamento semelhante ao de células formadoras de osso.

Entretanto, isso não significa que tomar magnésio seja capaz de retirar uma placa de cálcio já instalada na carótida.

Um ensaio clínico randomizado realizado em pacientes com doença renal crônica, por exemplo, encontrou aumento dos níveis de magnésio com a suplementação, mas não demonstrou redução da progressão da calcificação vascular após 12 meses.

Portanto, o magnésio é importante para o organismo e pode participar dos mecanismos relacionados à saúde vascular, mas não deve ser apresentado como um tratamento comprovado para desentupir carótidas.

E a vitamina K2?

A vitamina K participa da ativação de proteínas envolvidas na regulação da calcificação dos vasos. Uma delas é a proteína Gla da matriz (MGP), considerada um importante inibidor da calcificação vascular. A vitamina K é necessária para que essa proteína seja ativada.

Por isso, existe interesse científico na vitamina K2, especialmente na forma MK-7, como possível estratégia para ajudar a controlar a calcificação vascular.

Algumas pesquisas e uma meta-análise de ensaios clínicos encontraram sinais de benefício em determinados marcadores e, em alguns estudos, na progressão da calcificação. Porém, os próprios pesquisadores ressaltam que ainda são necessários estudos maiores e mais rigorosos para confirmar esse efeito.

Outro estudo com pacientes em hemodiálise mostrou que a vitamina K2 reduziu um marcador relacionado à calcificação, mas não impediu a progressão da calcificação da aorta.

Assim, também não é correto afirmar que a vitamina K2 consegue “tirar o cálcio do lugar errado” ou desentupir uma artéria que já apresenta aterosclerose.

O que realmente ajuda a proteger as carótidas?

O controle dos fatores de risco continua sendo fundamental. Isso inclui:

As diretrizes de prevenção do AVC destacam especialmente o controle da pressão, diabetes, colesterol, tabagismo, alimentação e atividade física.

Uma conclusão importante

A presença de 50% de estreitamento da carótida é um sinal que merece atenção e acompanhamento, mas não deve provocar pânico. O risco de AVC não pode ser determinado apenas por esse número.

O mais importante é descobrir quanto está obstruído, se existem sintomas, como é a placa e quais são os demais fatores de risco cardiovasculares.

Magnésio e vitamina K2 são assuntos promissores na pesquisa sobre calcificação vascular, mas não substituem o tratamento médico da aterosclerose e não existem evidências suficientes para afirmar que suplementos dessas substâncias desobstruem carótidas.

Quem recebeu um diagnóstico de estenose carotídea deve conversar com o médico antes de iniciar suplementos, especialmente a vitamina K2, que pode interferir com medicamentos anticoagulantes, como a varfarina.

O jornalismo independente e imparcial com informações contextualizadas tem um lugar importante na construção de uma sociedade , saudável, próspera e sustentável. Ajude-nos na missão de difundir informações baseadas em evidências. Apoie e compartilhe
Sair da versão mobile