O Brasil desperdiça cerca de 40% da água tratada na distribuição. Os relatórios do Instituto Trata Brasil apontam que quase 6 trilhões de litros são perdidos anualmente antes de chegarem às torneiras, um volume que poderia abastecer dezenas de milhões de pessoas.
Os relatórios detalham os seguintes pontos críticos:
- Volume Absurdo: O país perde aproximadamente 6 bilhões de \(m^{3}\) de água potável por ano, o que equivale a milhares de piscinas olímpicas desperdiçadas diariamente.
- Causas Principais: Ocorre devido a vazamentos em tubulações antigas, erros de medição, fraudes e ligações clandestinas (os chamados “gatos”).
- Disparidade Regional: Estados como Alagoas e Roraima frequentemente lideram o índice de perdas, enquanto locais como o Distrito Federal e Goiás chegam perto da meta nacional estipulada pelo governo.
- Impacto das Mudanças Climáticas: Em meio a eventos climáticos extremos e secas, essa ineficiência compromete severamente a segurança hídrica do país.
As perdas de água podem ocorrer ao longo do processo de abastecimento por diversos motivos, como vazamentos nas redes de distribuição, falhas de medição e consumos não autorizados.
- Queda Direta na Receita: Água furtada via ligações clandestinas (“gatos”) ou submedida por hidrômetros velhos é consumida, mas gera faturamento zero.
- Gasto Inútil com Cobrança: A empresa gasta recursos rastreando fraudes e trocando aparelhos, sem garantia de reaver o dinheiro.
- Desperdício de Insumos: As companhias gastam fortunas com produtos químicos e energia elétrica para bombear e tratar uma água que vaza pelos canos antes de chegar a qualquer cliente.
- Custos Operacionais Elevados: Manutenções emergenciais frequentes para tapar buracos em redes antigas custam muito mais caro do que a troca preventiva da tubulação.
As análises indicam ainda que a redução das perdas totais dos atuais 39,53% para 25% possibilitaria a economia de 2,8 bilhões de metros cúbicos de água por ano. Esse volume seria suficiente para abastecer, durante dois anos, aproximadamente 17,2 milhões de brasileiros que vivem em comunidades vulneráveis.
Além disso, a diminuição das perdas ampliaria a disponibilidade de recursos hídricos para a população sem a necessidade de captação em novos mananciais. A quantidade de água perdida fisicamente em 2024 equivale ao desperdício diário de cerca de 4,8 mil piscinas olímpicas ou 16,2 milhões de caixas d’água destinadas a uma família de cinco pessoas.

