Foi divulgado os Efeitos do Programa Bolsa Família na Saúde da População Brasileira, pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia). O documento reúne evidências produzidas ao longo dos últimos dez anos a partir do cruzamento de informações do Cadastro Único com bases nacionais de saúde, permitindo acompanhar os impactos da política de transferência de renda em diferentes fases da vida.
Entre os resultados mais contundentes está a redução da mortalidade materna. Mulheres beneficiárias do Bolsa Família apresentaram risco até 31% menor de morrer por complicações relacionadas à gestação, ao parto e ao pós-parto.
Os benefícios aparecem ainda antes do nascimento. A análise de mais de 4,2 milhões de nascidos vivos mostrou que gestantes atendidas pelo programa tiveram 11% menos chances de dar à luz bebês com baixo peso. Entre mães pretas, a redução chegou a 14%; entre indígenas, a 27%.
Também foi identificada uma queda nos nascimentos extremamente prematuros, aqueles que ocorrem antes de 28 semanas. Entre as beneficiárias, a redução foi de 31%, alcançando 44% nos municípios com melhor gestão do programa.
Os impactos positivos se estendem também à primeira infância. Em um universo de 6,3 milhões de crianças analisadas, os pesquisadores observaram redução de 16% na mortalidade antes dos cinco anos de idade. Os efeitos foram ainda mais expressivos entre crianças prematuras, negras e residentes em municípios de menor renda.
Estudos, como dados da FGV veiculados no Jornal Nacional, mostram que, em 10 anos, mais de 60% dos beneficiários conseguem deixar o programa e caminhar com as próprias pernas. Entre os jovens que eram adolescentes na época em que recebiam a ajuda, esse índice ultrapassa 70%. O programa atua garantindo o sustento mínimo enquanto as famílias se reorganizam, mantendo as crianças na escola, garantindo vacinas e acompanhando o desenvolvimento infantil, o que evitou cerca de 8 milhões de internações e salvou mais de 700 mil vidas na última década.

