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Aplicativo para tratar sintomas de depressão e ansiedade nos serviços de saúde

De 10% a 12% da população adulta no Brasil convive com sintomas de depressão e ansiedade, como mostram as pesquisas. E somente uma em cada quatro dessas pessoas tem acesso a cuidados adequados. Aplicativos de celular desenhados para oferecer tratamento poderiam dar conta de parte desta demanda e ajudar pacientes? A resposta é sim: programas do tipo se mostraram eficientes em estudos clínicos, com o potencial de ampliar o acesso aos cuidados. E já estão sendo aplicados com sucesso em Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Uma iniciativa liderada por pesquisadores da Faculdade de Medicina (FM) da USP está implementando, com bons resultados, em UBS do interior de São Paulo o Conemo (CONtrole EMOcional). A plataforma une o rastreamento em saúde mental ao auxílio na redução dos sintomas de depressão e ansiedade, por meio de um aplicativo para smartphone com técnicas baseadas na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).

Na ferramenta, o paciente tem acesso a jornadas interativas organizadas em sessões, com textos, áudios e vídeos que abordam estratégias como a prática de atividades prazerosas, o conhecimento sobre emoções, o manejo de sintomas da ansiedade e orientações práticas para a promoção da saúde e do bem-estar.

Além do aplicativo, a plataforma do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM) conta com um painel de monitoramento (dashboard) utilizado pelos profissionais das unidades das UBSs, que permite acompanhar o rastreamento dos casos e indicadores relacionados aos pacientes de suas unidades.

O Conemo começou a ser utilizado na cidade de Indaiatuba em 2024, e acaba de ser expandido a todas as 18 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município, em uma parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e o Centro Universitário Max Planck (UniMAX). A intervenção de saúde mental é pioneira no Brasil: baseada em sólidas evidências científicas, não há nenhuma outra, neste formado, tão completa em todo o País.

Pacientes recebem informações sobre o aplicativo na UBS, em Indaiatuba (SP) – Foto: Divulgação/CISM

Brasil e Peru

Houve um longo caminho até o serviço chegar ao SUS, como um projeto piloto. Ensaios clínicos para validar a plataforma foram feitos entre 2016 e 2018 em São Paulo e em Lima, no Peru, com pacientes com sintomas depressivos e também as comorbidades hipertensão ou diabetes; 610 participantes usaram o app por seis semanas. Ao final, os pesquisadores identificaram uma redução mais rápida nos sintomas de depressão entre os pacientes que usaram o app, comparado aos do grupo controle. Um artigo foi publicado em 2021 no periódico JAMA.

“Aqui no Brasil, quem oferecia a intervenção e acompanhava os participantes eram auxiliares de enfermagem das equipes de saúde da família das unidades participantes. É o que a gente chama de estudo pragmático, em que as condições são muito próximas às do mundo real, onde os pacientes estão sendo atendidos”, conta o professor da FMUSP Paulo Menezes, diretor científico do CISM e líder do projeto.

As diferenças entre o sistema de saúde no Brasil e no Peru ficaram claras no perfil da amostra de pacientes participantes. “O nível de escolaridade dos pacientes no Peru era maior do que o dos pacientes brasileiros. Isso porque, no Peru, para ter acesso às clínicas, que são instituições de Previdência, a pessoa precisa ter um emprego. Aqui no SUS, com acesso universal, toda a população que reside na área pode ser atendida.” Como esperado, pelo recorte específico da população, os resultados no Peru foram melhores que em São Paulo.

Fonte: Jornal da USP

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